Revirando o baú, encontrei esta crônica que escrevi logo após a vitória de Nelsinho Trad à Prefeitura de Campo Grande em 2004. Recordar é viver:
INDIGNAÇÃO INGÊNUA?
Sobrevivemos ao processo eleitoral. Embora reste um certo clima de ressaca, Campo Grande restou limpa no final do processo. Visualmente limpa, pelo menos. A mediocridade de alguns candidatos presenteou à ironia do eleitor com algumas frases de efeito duvidoso. Tivemos o "professor que trabalha contente" e "quem vota em fulana não se engana", mas todos foram superados prontamente por aquele que nos propôs trocar "abobrinhas por xuxu" (sic).
A minha curiosidade me levou ao dicionário, pai dos estarrecidos. Descobri que "chuchu" é derivado do francês "chouchou", que significa, na língua de Vítor Hugo, "o preferido, o queridinho". Pode ainda ser "moça ou mulher bonita", ou ainda, "aquele que se alia e se adapta facilmente a outrem". Mais ainda: é uma trepadeira cucurbitácea.
Mantido ainda na semi-ignorância, corri atrás de "abobrinha", outra trepadeira variedade de abóbora pequena da família das cucurbitáceas. Falamos, portanto, de frutos (isso mesmo!) da mesma família.Parece o resumo do que tivemos nesta eleição: trocamos abobrinha por chuchu. Continuamos na mesma família. Trocamos néscios por néscinhos. Não estou insatisfeito com o resultado da eleição. Acho-o justificável e explico o porquê. Nunca me assustou a existência de quem comprasse votos, pois a nossa elite sempre se prestou às mais variadas infâmias para se manter no poder. Os cabelos de Maquiavel estão, certamente, arrepiados com o ocorrido no dia 3 de outubro. Nunca me assustou também a existência de quem vendesse o voto. O amigo Augusto me disse: "Não há ideologia que resista à fome. Dinheiro é sempre bem-vindo".
O que me entristeceu foi ver algo que me recusava a enxergar. Vamos ao princípio de tudo. Votei pela primeira em 89 em um candidato da esquerda para presidente. Voltei a defendê-lo em 1994, 1998 e em 2002. Enfim, presidente. Votava nos candidatos de seu partido para a Prefeitura, Câmara Municipal, Assembléia Legislativa, Governo do Estado, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Era um partido que se sustentava com a abnegação dos militantes nas campanhas. Ingenuidade ou credulidade? Massa de manobra ou militantes?
Não faltou, no dia 3, quem comprasse e quem vendesse votos, como se a conquista do voto secreto não fizesse o mínimo sentido para os eleitores e os candidatos fossem onipresentes, verificando os votos dos corrompidos no segredo da cabine. Havia os eleitores IMEDIATISTAS ("Pego o dinheiro e voto em quem eu quiser"). Havia também os PREVIDENTES ("Pego o dinheiro e voto nele, para poder ganhar mais depois"). Não podemos nos esquecer dos AGRADECIDOS ("Vou votar nele porque levou minha mãe ao hospital, quando ela quebrou a bacia"). E os DESEMPREGADOS? ("Voto nele porque me prometeu um emprego de assessor").
A fauna eleitoral é marcada pela diversidade de condutas. Não nos surpreendamos se novos tipos surgirem na próxima eleição. Posso até arriscar alguns: o FATALISTA ("Pego o dinheiro e voto nele; já está escrito quem é o vencedor.") e o ESQUENTADINHO ("Peguei o dinheiro, sim, E DAÍ???!!!"). A galeria é grande. Mas, acrescentemos o grupo dos DESPEITADOS ("Por que não quiseram comprar o meu voto?").
A indignação é ingênua? Pois, bem. Não imaginava que a modernização da esquerda, assumindo um discurso mais moderado, significava assumir os mesmos vícios do início da República, dos primórdios do século passado. Já tomei a minha decisão. Manterei o mesmo pensamento utópico de 1989: Cada vez mais para a esquerda, companheiros!
Venha, portanto, 2006. Que não troquemos simplesmente uma trepadeira por outra, como acabamos de fazer.
Marco Aurélio Antunes Gondim
Campo Grande, MS, 7 de outubro de 2004
sábado, 18 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Periferia da Capital atrai consumidores de todos as classes sociais de Campo Grande
Jornal de Domingo: "Campo Grande, Terça-feira, 14 de Julho de 2009. 11:47
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Da Redação - Edição 813
Noticia de: 11 de Julho de 2009 - 15:00
Cozinha de bairro
Periferia da Capital atrai consumidores de todos as classes sociais de Campo Grande
Divulgação / Roberto Medeiros
Comidas típicas e exóticas, dificilmente encontradas em restaurantes finos atraem o público
Bares e restaurantes de bairros de Campo Grande vem recebendo uma preferencia inusitada. Tem aumentado o fluxo das classes média e alta em direção as mesas da periferia. Qual o segredo disso?
O que se pode analisar é que, na atualidade, se vive uma globalização onde o aumento de comidas rápidas e fast-foods é visível e considerável.
[...]
Um dos entrevistados foi o proprietário do Bifão da Cophasul, distante do centro de Campo Grande mas que recebe dezenas declientes de toda capital.. 'O prefeito, o próprio governador, amam comer aqui, pois o que servimos é feito com amor e dedicação, toda a família trabalha unida. Tenho em média, 17 funcionários. O bife é de boa qualidade e o preço é acessível, sem contar que a porção dá para duas pessoas ficarem satisfeitas e bem servidas. O local é agradável, ficamos dentro de uma praça, a qual a prefeitura me autorizou a cuidar e fazer a manutenção.
[...]
Uma curiosidade é a cadeia de fast-food da rede MacDonald´s, por exemplo, estão espalhados 18 mil restaurantes em 91 países, mas em Campo Grande encontra-se dois restaurantes da rede.
[...]
O trailer do Verdão fica na Av. Júlio de Castilho há 12 anos. Seu José, que é o proprietário, prepara e fiscaliza os lanches.
[...]
'Outro bar que conheço e que é interessante, pois ele é bem simplório e sem infra-estrutura, se comparado a outros estabelecimentos, como a Cachaçaria que fica bem perto, é o Copo Sujo, no bairro Monte Líbano.
[...]
O restaurante Farinha D´água, que fica na Av. guaicurus, no Bairro Universitária é outro local que atrai pessoas de todos os bairros de Campo Grande, com uma culinária diversificada e um ambiente exótico, o bar tem como atrativo comidas típicas de várias regiões do Brasil, como o frango ao molho pardo, a rabada mineira, o arrumadinho, peixes à Rondônia, entre outras peculiaridades.
[...]
Outra curiosidade são os 'dogueros' do centro da Cidade, aqueles carrinhos de cachorro quente, segundo o presidente da abrasel, esse tipo de comercialização de comida é prejudicial a saúde, pois o funcionário fica das 19h até às 2h ou até mais da manhã sem ter um local apropriado para fazer as necessidades básicas, 'acabam usando uma árvore e depois nem lavam as mãos', diz o presidente da abrasel que destaca a fumaça dos carros misturada com o feitio dos lanches.
[...]
A psicologia explica um pouco sobre esse comportamento da população e do ser humano em geral, onde o psicólogo especialista na área de aconselhamento, Olivar Estevan Correa Ribeiro afirma que o calor humano, em se tratando da sociedade em que vivemos ser uma sociedade que tem como característica marcante a solidão, faz com que pessoas vivam sós no contexto urbano atual. 'Muitas tem dificuldade de compartilhar suas vidas, temores e angústias. Apesar de desejarem um relacionamento mais profundo, não conseguem romper com as barreiras e ir ao encontro do outro, acredito que por este motivo restaurantes na periferia que estão sempre lotados de pessoas proporcionam um ambiente de calor humano e muita confraternização. Ir a um lugar com apenas duas ou três pessoas com condições financeiras adequadas não seria tão interessante quanto ir com toda a turma em outro local com acesso a todos', explica o psicólogo que descata que outro evento característico de nossa época, é que nossa sociedade vive uma profunda crise existencial, 'a crise do 'SER' e do 'TER'. Vivemos em tempos onde TER é mais importante do que SER. Somos avaliados, aceitos, valorizados se tivermos alguma coisa e não se somos alguém. Nossa sociedade assumidamente capitalista e consumista tem gerado um conceito utilitarista nas pessoas, fazendo-as crer que só terão valor se possuírem bens e estiverem participando da produção de outros bens. Sendo assim restaurantes e bares da periferia não separam as pessoas por classe. Ali você não separa a Classe A da Classe B estamos todos no mesmo lugar. Ambiente assim de certa forma promove o SER mais que o TER', finaliza Olivar.
[...]
Bares e restaurantes longes do centro da Capital
• Bifão do bairro Cophasul
• Verdão da Av. Júlio de Castilho
• Bar do Hollywood no bairro Pioneira na Av. Ana Luiza de Souza
• Farinha D´água no bairro Universitária, na Av. Guaicurus
• Dennys na Av. Júlio de Catilho
• Bar do Fernando no Jardim Presidente
• Bar do Gato da Cophasul
• Bar do Adão do Guanandi
• Bar Confraria do Choro Vila Alba,
• Bar do Dedinho, na Euler de Azevedo"
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Da Redação - Edição 813
Noticia de: 11 de Julho de 2009 - 15:00
Cozinha de bairro
Periferia da Capital atrai consumidores de todos as classes sociais de Campo Grande
Divulgação / Roberto Medeiros
Comidas típicas e exóticas, dificilmente encontradas em restaurantes finos atraem o público
Bares e restaurantes de bairros de Campo Grande vem recebendo uma preferencia inusitada. Tem aumentado o fluxo das classes média e alta em direção as mesas da periferia. Qual o segredo disso?
O que se pode analisar é que, na atualidade, se vive uma globalização onde o aumento de comidas rápidas e fast-foods é visível e considerável.
[...]
Um dos entrevistados foi o proprietário do Bifão da Cophasul, distante do centro de Campo Grande mas que recebe dezenas declientes de toda capital.. 'O prefeito, o próprio governador, amam comer aqui, pois o que servimos é feito com amor e dedicação, toda a família trabalha unida. Tenho em média, 17 funcionários. O bife é de boa qualidade e o preço é acessível, sem contar que a porção dá para duas pessoas ficarem satisfeitas e bem servidas. O local é agradável, ficamos dentro de uma praça, a qual a prefeitura me autorizou a cuidar e fazer a manutenção.
[...]
Uma curiosidade é a cadeia de fast-food da rede MacDonald´s, por exemplo, estão espalhados 18 mil restaurantes em 91 países, mas em Campo Grande encontra-se dois restaurantes da rede.
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O trailer do Verdão fica na Av. Júlio de Castilho há 12 anos. Seu José, que é o proprietário, prepara e fiscaliza os lanches.
[...]
'Outro bar que conheço e que é interessante, pois ele é bem simplório e sem infra-estrutura, se comparado a outros estabelecimentos, como a Cachaçaria que fica bem perto, é o Copo Sujo, no bairro Monte Líbano.
[...]
O restaurante Farinha D´água, que fica na Av. guaicurus, no Bairro Universitária é outro local que atrai pessoas de todos os bairros de Campo Grande, com uma culinária diversificada e um ambiente exótico, o bar tem como atrativo comidas típicas de várias regiões do Brasil, como o frango ao molho pardo, a rabada mineira, o arrumadinho, peixes à Rondônia, entre outras peculiaridades.
[...]
Outra curiosidade são os 'dogueros' do centro da Cidade, aqueles carrinhos de cachorro quente, segundo o presidente da abrasel, esse tipo de comercialização de comida é prejudicial a saúde, pois o funcionário fica das 19h até às 2h ou até mais da manhã sem ter um local apropriado para fazer as necessidades básicas, 'acabam usando uma árvore e depois nem lavam as mãos', diz o presidente da abrasel que destaca a fumaça dos carros misturada com o feitio dos lanches.
[...]
A psicologia explica um pouco sobre esse comportamento da população e do ser humano em geral, onde o psicólogo especialista na área de aconselhamento, Olivar Estevan Correa Ribeiro afirma que o calor humano, em se tratando da sociedade em que vivemos ser uma sociedade que tem como característica marcante a solidão, faz com que pessoas vivam sós no contexto urbano atual. 'Muitas tem dificuldade de compartilhar suas vidas, temores e angústias. Apesar de desejarem um relacionamento mais profundo, não conseguem romper com as barreiras e ir ao encontro do outro, acredito que por este motivo restaurantes na periferia que estão sempre lotados de pessoas proporcionam um ambiente de calor humano e muita confraternização. Ir a um lugar com apenas duas ou três pessoas com condições financeiras adequadas não seria tão interessante quanto ir com toda a turma em outro local com acesso a todos', explica o psicólogo que descata que outro evento característico de nossa época, é que nossa sociedade vive uma profunda crise existencial, 'a crise do 'SER' e do 'TER'. Vivemos em tempos onde TER é mais importante do que SER. Somos avaliados, aceitos, valorizados se tivermos alguma coisa e não se somos alguém. Nossa sociedade assumidamente capitalista e consumista tem gerado um conceito utilitarista nas pessoas, fazendo-as crer que só terão valor se possuírem bens e estiverem participando da produção de outros bens. Sendo assim restaurantes e bares da periferia não separam as pessoas por classe. Ali você não separa a Classe A da Classe B estamos todos no mesmo lugar. Ambiente assim de certa forma promove o SER mais que o TER', finaliza Olivar.
[...]
Bares e restaurantes longes do centro da Capital
• Bifão do bairro Cophasul
• Verdão da Av. Júlio de Castilho
• Bar do Hollywood no bairro Pioneira na Av. Ana Luiza de Souza
• Farinha D´água no bairro Universitária, na Av. Guaicurus
• Dennys na Av. Júlio de Catilho
• Bar do Fernando no Jardim Presidente
• Bar do Gato da Cophasul
• Bar do Adão do Guanandi
• Bar Confraria do Choro Vila Alba,
• Bar do Dedinho, na Euler de Azevedo"
quinta-feira, 5 de março de 2009
MAZELA 2: Mato Grosso do Su - 'A vida por um fio' de cerol, Rosildo Barcelos
Fonte: http://www.aquidauananews.com/imprimir.php?news_id=142305
Terça-feira, dia 03 de Março de 2009 às 10:40hs
A vida por um fio
Prof Rosildo Barcellos
Eu vou passar cerol na mão, assim, assim
Vou cortar você na mão, vou sim, vou sim
Vou aparar pela rabiola, assim, assim
E vou trazer você pra mim, vou sim, vou sim
Eu vou cortar você na mão
Vou mostrar que eu sou tigrão
Vou te dar muita pressão
Então martela, martela, martela o martelão
Levante a mãozinha, na palma da mão
É o Bonde do Tigrão...
Cerol na Mão (DJ da Pipo’s /tigrão / Antonio Carlos/Rita Marques)
Quantos já se divertiram com a letra dessa música, outros com o filme e o livro ‘O caçador de pipas’ .Música e arte se misturam como nunca nesse tema.
Acrescente-se que a guerra de pipas com cerol é uma tradição no Afeganistão e uma diversão perigosa no Brasil. A arte tem retratado a realidade e neste caso, tanto a música quanto o filme acontecem longe do trânsito.
Entretanto quando ela chega a nossa realidade as lágrimas poderão calar o sorriso e a brincadeira de outrora.
Na verdade o Cerol é uma mistura de cola de madeira com vidro moído que as crianças passam na linha dos papagaios,pandorgas e pipas para cortar a linha das pipas de outras crianças.
Esta mistura de cola e vidro moído faz com que a linha se torne uma verdadeira navalha causadora de muitos acidentes fatais. São utilizados também variações de pó cortante, o mais comum é o pó de ferro. O pó de ferro tem um agravante, pode conduzir eletricidade quando toca nos fios de alta tensão provocando curtos circuitos e até morte em quem solta as pipas.
Os maiores riscos são os cortes causados pelas linhas, os motociclistas e parapentistas são as principais vítimas, que em caso de acidentes tem alguma parte de seu corpo cortada.
No caso dos motociclistas e mototaxistas o pescoço é a parte mais atingida, principalmente devido à falta de proteção. Neste local passa uma artéria de grande calibre e o corte desta pode provocar um sangramento muito intenso causando a morte em poucos minutos.
Existem casos de pessoas que tentaram retirar a linha do pescoço e tiveram seus dedos amputados. Capacetes sem as viseiras podem favorecer o corte no rosto e olhos.
A utilização do cerol é crime e tem leis específicas em cada estado como São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Muitas cidades têm leis municipais próprias onde os estados não tiveram o cuidado de criar leis estaduais.
No caso de Mato Grosso do Sul seu uso é proibido por lei proposta pelo Deputado Coronel Ivan e por uma lei municipal de Campo Grande. A lei estadual estabelece multa de 20 UFERMS em caso de descumprimento, e o dobro do valor em casos de reincidência em menos de dois anos.
Em caso de menor de 18 anos, o responsável responderá pela titularidade ou seja: multa de R$ 249,6o para quem for pego utilizando linha com cerol e em caso de menor de idade, para o responsável, a legislação municipal pune com multa de R$ 170.
Algumas cidades estão mais avançadas nesse sentido,por exemplo em Ribeirão Preto existe um telefone à disposição da população para receber denúncias sobre a venda de cerol.
O telefone é o 0800-7719856 e a pessoa que fizer a denúncia não precisa se identificar. Naquela cidade a multa para quem vender cerol é de até dez salários mínimos e o estabelecimento pode ser fechado.
Voltando o foco para o nosso estado, segundo a lei estadual, a multa pode dobrar em caso de reincidência. E no que tange a lei municipal, esta, remete ainda a uma regulamentação quanto ao poder de polícia sobre as infrações.
Como geralmente quem empina pipas são crianças, inimputáveis, os pais ou responsáveis devem arcar com as penas impostas no caso de comprovação do uso de cerol.
Por enquanto um método paliativo é equipar as motocicletas com antenas que custam de R$ 8 a 15 reais e prestar muita atenção por onde está transitando ( bicicletas e motos).
Falta ainda uma política de conscientização que pode começar na escola, tratando nas aulas onde o assunto seja folclore a importância histórica do brinquedo mas concomitantemente o cuidado que devemos ter quando de sua utilização .
Terça-feira, dia 03 de Março de 2009 às 10:40hs
A vida por um fio
Prof Rosildo Barcellos
Eu vou passar cerol na mão, assim, assim
Vou cortar você na mão, vou sim, vou sim
Vou aparar pela rabiola, assim, assim
E vou trazer você pra mim, vou sim, vou sim
Eu vou cortar você na mão
Vou mostrar que eu sou tigrão
Vou te dar muita pressão
Então martela, martela, martela o martelão
Levante a mãozinha, na palma da mão
É o Bonde do Tigrão...
Cerol na Mão (DJ da Pipo’s /tigrão / Antonio Carlos/Rita Marques)
Quantos já se divertiram com a letra dessa música, outros com o filme e o livro ‘O caçador de pipas’ .Música e arte se misturam como nunca nesse tema.
Acrescente-se que a guerra de pipas com cerol é uma tradição no Afeganistão e uma diversão perigosa no Brasil. A arte tem retratado a realidade e neste caso, tanto a música quanto o filme acontecem longe do trânsito.
Entretanto quando ela chega a nossa realidade as lágrimas poderão calar o sorriso e a brincadeira de outrora.
Na verdade o Cerol é uma mistura de cola de madeira com vidro moído que as crianças passam na linha dos papagaios,pandorgas e pipas para cortar a linha das pipas de outras crianças.
Esta mistura de cola e vidro moído faz com que a linha se torne uma verdadeira navalha causadora de muitos acidentes fatais. São utilizados também variações de pó cortante, o mais comum é o pó de ferro. O pó de ferro tem um agravante, pode conduzir eletricidade quando toca nos fios de alta tensão provocando curtos circuitos e até morte em quem solta as pipas.
Os maiores riscos são os cortes causados pelas linhas, os motociclistas e parapentistas são as principais vítimas, que em caso de acidentes tem alguma parte de seu corpo cortada.
No caso dos motociclistas e mototaxistas o pescoço é a parte mais atingida, principalmente devido à falta de proteção. Neste local passa uma artéria de grande calibre e o corte desta pode provocar um sangramento muito intenso causando a morte em poucos minutos.
Existem casos de pessoas que tentaram retirar a linha do pescoço e tiveram seus dedos amputados. Capacetes sem as viseiras podem favorecer o corte no rosto e olhos.
A utilização do cerol é crime e tem leis específicas em cada estado como São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Muitas cidades têm leis municipais próprias onde os estados não tiveram o cuidado de criar leis estaduais.
No caso de Mato Grosso do Sul seu uso é proibido por lei proposta pelo Deputado Coronel Ivan e por uma lei municipal de Campo Grande. A lei estadual estabelece multa de 20 UFERMS em caso de descumprimento, e o dobro do valor em casos de reincidência em menos de dois anos.
Em caso de menor de 18 anos, o responsável responderá pela titularidade ou seja: multa de R$ 249,6o para quem for pego utilizando linha com cerol e em caso de menor de idade, para o responsável, a legislação municipal pune com multa de R$ 170.
Algumas cidades estão mais avançadas nesse sentido,por exemplo em Ribeirão Preto existe um telefone à disposição da população para receber denúncias sobre a venda de cerol.
O telefone é o 0800-7719856 e a pessoa que fizer a denúncia não precisa se identificar. Naquela cidade a multa para quem vender cerol é de até dez salários mínimos e o estabelecimento pode ser fechado.
Voltando o foco para o nosso estado, segundo a lei estadual, a multa pode dobrar em caso de reincidência. E no que tange a lei municipal, esta, remete ainda a uma regulamentação quanto ao poder de polícia sobre as infrações.
Como geralmente quem empina pipas são crianças, inimputáveis, os pais ou responsáveis devem arcar com as penas impostas no caso de comprovação do uso de cerol.
Por enquanto um método paliativo é equipar as motocicletas com antenas que custam de R$ 8 a 15 reais e prestar muita atenção por onde está transitando ( bicicletas e motos).
Falta ainda uma política de conscientização que pode começar na escola, tratando nas aulas onde o assunto seja folclore a importância histórica do brinquedo mas concomitantemente o cuidado que devemos ter quando de sua utilização .
domingo, 25 de janeiro de 2009
Mazela I: O gato de Antônio João
Em Antônio João, gato recebeu por 7 meses Bolsa Família / Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009 09:40 / Ângela Kempfer
<http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=245334 >
Prezados e prezadas,
<http://www.campogrande.news.
Prezados e prezadas,
A seção das mazelas não teria uma estréia melhor que o surreal caso do coordenador do Programa Bolsa Família em Antônio João - MS Sr. Eurico Rosa, que se premiou com R$ 21,00 mensais pelo fato de possuir como filho(?) um gato com o simpático e anglófono nome de Billy, talvez uma homenagem carinhosa ao predecessor de Bush na Casa Branca.
O que causou me estranheza inicialmente foi o fato de a fraude ter sido descoberta somente após sete meses. Deve haver algo místico relacionado às sete vidas de Billy neste caso. Será, Watson?
Para que a posteridade não diga que estou a mentir, verifiquem todos os links que comprovam este disparate que, de tão absurdo, nos faz rir. O conceituado Campo Grande News <www.campogrande.com> fez uma série risível de reportagens sobre o caso, que me dou o trabalho de comentar.
Inicialmente, o site noticiou a descoberta da fraude já casada com o recadastramento obrigatório de todos os beneficiados do programa. O governador André, que já promoveu um corte nos programas sociais no início de seu governo, poderia achar este um bom motivo para cortá-los de novo. Espero que não.
Após a descoberta da famigerada fraude, o perpetrador da ignominiosa atitude, em depressão talvez, resolveu se refugiar - ou se esconder - no campo em busca de uma paisagem bucólica que anulasse os efeitos psíquicos de seus nefastos atos administrativos. Acredito que o Sr. Eurico Rosa esperava que o seu erro fosse esquecido, afinal, somos um povo de pouca memória, deve ter pensado ele.
O contribuinte já está com raiva do Sr. Eurico Rosa? Veja a próxima notícia:
Gato que tinha Bolsa Família já morreu há anos, diz dono / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 10:21 / Ângela Kempfer
<http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=245406 >
Não fique, pois descobrimos que seu filho/gato está morto há anos. O benefício talvez fosse só uma forma de ele não se esquecer do pobre animal/filho. Afinal, "o que são R$ 21,00 para os contribuintes?" deve ter raciocinado sagazmente o Sr. Eurico Rosa. O que mais me impressionou foi a falta de diálogo doméstico. Eurico, de acordo com o Campo Grande News, diz que 'se deu mal' porque não avisou a esposa sobre a fraude de ter inserido o gato no cadastro para receber o Bolsa Família. "Ela não sabia de nada, quando o agente de saúde foi até lá em casa para perguntar onde estava o Billy, ela contou que era um gato".
O caro contribuinte deve estar pensando que este texto terminará sem uma conclusão agradável para os nossos bolsos. E está certo! No entanto, o governo estadual, em mais uma de suas bravatas macarrônicas, prometeu tomar providências sobre o caso do defunto gato Billy. Veja:
Governo garante providências sobre fraude com gato / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 08:55 / Fernanda França
<http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=245400 >
Para nossa surpresa ou não, uma costumeira solução aconteceu rapidamente: o vereador estreante de Antônio João o Sr. Dirlon Ifran Veron (PR), conhecido como Gurizinho, em um ato de compaixão ou de investimento (talvez ele possua alguns animais que não recebem o benefício) nomeou o Sr. Eurico Rosa assessor parlamentar.
Fraudador do Bolsa Família será assessor parlamentar / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 11:19 / Ângela Kempfer
<http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=5&id=245417 >
Resta-nos a torcida para que este seja o primeiro e último mandato do referido edil. Resta outra esperança: as férias do promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro de Ponta Porã terminarão em fevereiro e ele já declarou que o servidor terá de devolver o que recebeu ilegalmente. Não rola uma cadeiazinha, não, doutor?
Boa sorte a todos.
Billy, descanse em paz.
Marco Aurélio Antunes Gondim
O que causou me estranheza inicialmente foi o fato de a fraude ter sido descoberta somente após sete meses. Deve haver algo místico relacionado às sete vidas de Billy neste caso. Será, Watson?
Para que a posteridade não diga que estou a mentir, verifiquem todos os links que comprovam este disparate que, de tão absurdo, nos faz rir. O conceituado Campo Grande News <www.campogrande.com> fez uma série risível de reportagens sobre o caso, que me dou o trabalho de comentar.
Inicialmente, o site noticiou a descoberta da fraude já casada com o recadastramento obrigatório de todos os beneficiados do programa. O governador André, que já promoveu um corte nos programas sociais no início de seu governo, poderia achar este um bom motivo para cortá-los de novo. Espero que não.
Após a descoberta da famigerada fraude, o perpetrador da ignominiosa atitude, em depressão talvez, resolveu se refugiar - ou se esconder - no campo em busca de uma paisagem bucólica que anulasse os efeitos psíquicos de seus nefastos atos administrativos. Acredito que o Sr. Eurico Rosa esperava que o seu erro fosse esquecido, afinal, somos um povo de pouca memória, deve ter pensado ele.
O contribuinte já está com raiva do Sr. Eurico Rosa? Veja a próxima notícia:
Gato que tinha Bolsa Família já morreu há anos, diz dono / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 10:21 / Ângela Kempfer
<http://www.campogrande.news.
Não fique, pois descobrimos que seu filho/gato está morto há anos. O benefício talvez fosse só uma forma de ele não se esquecer do pobre animal/filho. Afinal, "o que são R$ 21,00 para os contribuintes?" deve ter raciocinado sagazmente o Sr. Eurico Rosa. O que mais me impressionou foi a falta de diálogo doméstico. Eurico, de acordo com o Campo Grande News, diz que 'se deu mal' porque não avisou a esposa sobre a fraude de ter inserido o gato no cadastro para receber o Bolsa Família. "Ela não sabia de nada, quando o agente de saúde foi até lá em casa para perguntar onde estava o Billy, ela contou que era um gato".
O caro contribuinte deve estar pensando que este texto terminará sem uma conclusão agradável para os nossos bolsos. E está certo! No entanto, o governo estadual, em mais uma de suas bravatas macarrônicas, prometeu tomar providências sobre o caso do defunto gato Billy. Veja:
Governo garante providências sobre fraude com gato / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 08:55 / Fernanda França
<http://www.campogrande.news.
Para nossa surpresa ou não, uma costumeira solução aconteceu rapidamente: o vereador estreante de Antônio João o Sr. Dirlon Ifran Veron (PR), conhecido como Gurizinho, em um ato de compaixão ou de investimento (talvez ele possua alguns animais que não recebem o benefício) nomeou o Sr. Eurico Rosa assessor parlamentar.
Fraudador do Bolsa Família será assessor parlamentar / Sábado, 24 de Janeiro de 2009 11:19 / Ângela Kempfer
<http://www.campogrande.news.
Resta-nos a torcida para que este seja o primeiro e último mandato do referido edil. Resta outra esperança: as férias do promotor Douglas Oldegardo Cavalheiro de Ponta Porã terminarão em fevereiro e ele já declarou que o servidor terá de devolver o que recebeu ilegalmente. Não rola uma cadeiazinha, não, doutor?
Boa sorte a todos.
Billy, descanse em paz.
Marco Aurélio Antunes Gondim
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Beleza I: Estreamos com as luzes de Natal da Morada dos Baís
Não são fogos de artifício que anunciam a chegada do novo ano em Campo Grande, mas as luzes da Morada dos Baís. Antiga residência da família dos Baís, depois Pensão Pimentel até virar um cortiço com alguns incêncios ocasionais.
Foi tombada em 1993, depois de passar por uma competente reforma, e passou a ser um dos principais pontos turísticos de Campo Grande.
Que as luzes de Natal sejam um prenúncio das bênçãos do ano de 2009. Que sejamos luz em um mundo cada vez mais assolado pelas trevas. Que a nossa cidade respeite seu morador e lhe seja amigável. É o nosso desejo.
Marco Aurélio e Gizeli
Foi tombada em 1993, depois de passar por uma competente reforma, e passou a ser um dos principais pontos turísticos de Campo Grande.
Que as luzes de Natal sejam um prenúncio das bênçãos do ano de 2009. Que sejamos luz em um mundo cada vez mais assolado pelas trevas. Que a nossa cidade respeite seu morador e lhe seja amigável. É o nosso desejo.
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